08/09/2016

Para ser feliz é preciso persistir

Bom dia queridos leitores!
Muitos pensam que sou uma pessoa de sorte por tudo que já conquistei, mas na verdade foi através da persistência que cheguei onde cheguei.
Se falar no salário que ganhava quando vim morar em POA, com certeza muitas pessoas não viriam morar para cá, mesmo assim, pensei positivamente que no futuro alcançaria meus objetivos, pois o mais importante neste instante era começar minha caminhada profissional, não sendo relevante quanto receberia por isso.
Lembro dos primeiros dias de trabalho me deslocando ao Barra Shoping, ainda em construção, totalmente inacessível para deficientes visuais.
Ao desser do ônibus ao lado da parada já enfrentava o primeiro desafio, havia uma vala, tendo que cuidar para não caminhar muito para a direita, senão poderia cair dentro do buracão.
O Barra Shoping estava em obras externas e os profissionais responsáveis pela segurança não queriam garantir a minha segurança para chegar ao trabalho. Certo dia foi determinado pelos gestores dos seguranças que não era função deles guiar os cegos no Shoping, sendo assim, eu precisava de ajuda para sair deste lugar e ir para casa, mas os seguranças diziam que não podiam me auxiliar.
Fiquei muito nervosa, pois precisava ir para casa e não sabia como sair daquele lugar extremamente inacessível.
Entrei num estrés tão grande que chorei de tristeza, então a gerente da loja contatou o SAC do Shoping, bem como, os responsáveis pela segurança do mesmo para verificar a situação.
A partir de então os seguranças começaram a me auxiliar sem complicação.
Imaginem se essa situação não tivesse mudado nenhum cego poderia ir neste Shoping fazer compras.
Diferente do Barra Shoping o Praia de Belas sempre foi muito solícito a auxiliar os cegos. , pois lá fiz meus primeiros treinamentos para posteriormente trabalhar no Barra Shoping.
Ao longo da minha caminhada profissional percebi que as pessoas que enxergam interpretam errado os cegos, acham que por sabermos andar de bengala temos que conhecer toda a cidade coisa que hoje sei que nem quem enxerga conhece plenamente POA.
Nessa época também peguei muitas chuvas torrenciais que devido o forte vento destruíam o guarda-chuva, quantas vezes cheguei no trabalho e em casa molhada. Essa experiência foi um teste de resistência, mas graças a persistência superei essa fase e depois de sete meses consegui o segundo trabalho, com um salário um pouco melhor, num lugar mais acessível fisicamente, no entanto, com ambiente de trabalho inacessível, sem computador adaptado para cegos, sem treinamento adequado a minha deficiência, com preconceito de certos colegas e descrença nas minhas capacidades por parte dos administradores deste espaço de trabalho. Cheguei a pensar que estavam confundindo minha deficiência visual com mental, devido tanta violência psicológica vivida, pois solicitava as adaptações necessárias para meu trabalho e era como se estivesse exigindo algo muito além do meu cargo de telefonista, recebia em troca desconsideração e preconceito diante das minhas capacidades.
Certo dia decidi contatar a mantenedora e falar da minha situação no ambiente de trabalho.
Para os administradores foi uma afronta, pois estava indo contra o que eles acreditavam, mas foi a alternativa que encontrei para resolverem meu problema. A partir de então veio um funcionário da TI que começou a fazer as adaptações solicitadas em meu computador.
Depois das adaptações solicitadas, executadas e funcionais o próprio funcionário admitiu que até então não estava acreditando que minha solicitação era necessária.
Posteriormente, depois de um mês de trabalho comecei a receber treinamento para conhecer os setores, pois até então tinha que adivinhar quem eram as pessoas que lá trabalhavam.
Neste ambiente de trabalho sofri muita pressão psicológica a qual resultou numa psoríase nas mãos.
Quase dois anos depois consegui um verdadeiro trabalho inclusivo em uma empresa de TI.
Desde a entrevista me senti acolhida pelo gestor, que tratou-me com igualdade e respeito.
No primeiro dia de trabalho já tinha leitor de tela instalado no pc e recebi treinamento sobre as tarefas a serem desenvolvidas.
A partir de então consegui dormir em páz e ir trabalhar com sorriso no rosto por me sentir incluida de verdade!
Passei por uma fase muito difícil para realizar meu sonho de trabalhar, mas se tivésse desistido nos primeiros obstáculos concerteza hoje não teria minha casa e minha filha para criar.
Percebi que para realizar nossos sonhos precisamos lutar bastante para chegar onde queremos, concerteza não é fácil trilhar os primeiros passos rumo a realização profissional, mas enfrentar as dificuldades é preciso para chegar onde queremos.
Portanto, se você quer realizar seu sonho, seja qual for, saiba que é preciso ser persistente, olhar para frente e não dar ouvidos a todos aqueles que não acreditam em você, haja com confiança que certamente vai se realizar em todos os sentidos de teu viver!

No entanto, a caminhada não é fácil, mas não desista, persista!

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