06/06/2022

Aceitação

O tema nomeado acima veio ao encontro de reflexões que tenho feito ao longo de minha vida a respeito de mim mesma e do que depreendo em conversas com outras pessoas que vivem preocupadas em demasia com os julgamentos elaborados pelos outros a respeito de suas ações e atitudes.

Sempre na tentativa de buscar um aperfeiçoamento espiritual, socorro-me de leituras edificantes que podem me ajudar a vencer as dificuldades que carrego em meu íntimo, e, por que não, ajudar outros a se libertarem das suas próprias.

Em uma obra intitulada, “Os Prazeres da Alma”, ditada pelo espírito Hammed, o enfoque dado à questão é bastante elucidativo e nos encoraja a sermos mais confiantes e exercitarmos a autoaceitação que é, para o autor, um dos desafios que recebemos na vida. Assim, quando aceitamos a nós mesmos, eliminamos as amarras de doentia dependência que nos vinculam aos outros, cujos valores não são iguais aos nossos.

Se pautarmos a nossa existência nos preocupando com a impressão que causamos aos outros, menos descobriremos o que somos, acobertando nossas potencialidades, subestimando nossos talentos e ruindo todos os esforços que fazemos para nos situarmos no mundo. Aliás, mundo que pertence a todos, cada qual dando o seu contributo para a sua melhora.

Como menciona Hammed, “querer parecer impecável diante dos outros é tarefa desgastante e desnecessária”. O que vale e o que importa mais do que a nossa reputação, que, em linguagem de dicionário significa o conceito que goza uma pessoa em seu grupo social, é estarmos apaziguados com a nossa consciência. Esta, a consciência, está ligada à Soberania da Vida Superior, enquanto a reputação é condicionada ao caráter instável e temperamento vacilante dos seres humanos.

Desse modo, devemos sempre ter em mente que não somos o que os outros pensam e, muitas vezes, nem mesmo o que pensamos ser; mas, somos verdadeiramente, o que sentimos. Somente os sentimentos podem revelar nosso desempenho no passado, nossa atuação no presente e nossa potencialidade futura.

O medo de sermos rejeitados ou não aceitos pode ser visto como um resquício fortemente gravado no psiquismo pelas experiências infantis ou por complexos adquiridos em outras existências. Porque ainda não aprendemos o autoamor, costumamos esperar as compensações e os favores do amor alheio, permitindo um nível de insegurança e dependência dos outros face ao excessivo valor que depositamos no que eles pensam sobre nós. Assim, acabamos não nos dando conta de que um julgamento arbitrário é o “declínio do entendimento”, da empatia, da complacência e da aceitação para com a nossa “diversidade existencial”. E mais uma vez, cito Hammed, quando ele diz que o julgamento é o “naufrágio da compreensão”.

Recordemos Jesus de Nazaré que deixou claro que, para Deus, não havia eleitos; o reino dos céus era uma conquista comum a todos aqueles que cultivassem o amor a Deus, ao próximo e a si mesmo. E, numa atitude incomum para a sua época, demonstrava apreço e respeito a todos, excluídos e discriminados, ladrões, cobradores de impostos, adúlteros e prostitutas. De ninguém fazia acepção ou escolha de um em detrimento do outro, o que levou Paulo de Tarso a afirmar aos cristãos da Igreja da Galácia: “Deus não faz acepção de pessoas” (Gálatas, 2:6).

E, para finalizar, registremos esse ensinamento que certamente nos levará a outro modo de nos posicionarmos na vida, sem demasiada preocupação para com o que os outros pensam a nosso respeito: “Ao alterarmos a nossa “visão efêmera” para uma “visão de eternidade”, mudamos a “concepção de mundo” cartesiano e simplista em que vivemos, modificando as conclusões equivocadas a respeito das pessoas e da vida. O normal, o anormal, o moral, o imoral, o natural e o não natural são relativos, mesmo quando se trata da configuração ou da aparência externa da matéria”.


Autora: Martha Triandafelides Capelotto


 

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