Hoje é um dia de profunda saudade dos nossos entes queridos. Para mim, parece que foi ontem que a mãe partiu para o plano espiritual. A notícia do seu falecimento, a pressa angustiada na ida a Giruá para a despedida e as lembranças do velório simplesmente não saem dos meus pensamentos. Foi, sem dúvida, o dia mais triste da minha vida — um momento em que até a perda da visão ficou em segundo plano diante da dor daquela ausência.
Ainda assim, conforta-me saber que ela teve uma despedida à altura de quem foi. As freiras do Hospital São José, onde ela dedicou 13 anos de trabalho com amor, prestaram todas as honras e homenagens que ela tanto merecia. Orientadas pela Irmã Delmira, elas se revezavam de hora em hora em oração junto a todos os presentes. A mãe partiu no dia 12 de abril e seu sepultamento ocorreu no dia 13. A missa celebrada pelo Padre Marcos foi um momento de rara beleza e consolo.
Ela merecia exatamente isso: tudo o que há de mais belo, digno e perfeito. Foi uma mulher maravilhosa, que lutou incansavelmente, lado a lado, pelo nosso desenvolvimento e por nossa autonomia como pessoas cegas. Acima de tudo, foi uma mãe extraordinária, cujo amor e legado continuam a guiar cada um dos nossos passos. Gratidão infinita, mãe, por todo o apoio recebido, por seu carinho constante e por ter sido uma avó tão afetuosa e presente, que deixou marcas eternas e luminosas no coração dos netos. Mãe, eu te amo com toda a força do meu coração.
Neste mesmo horizonte de memória e afeto, não posso deixar de lembrar a passagem de tantas outras pessoas tão queridas da nossa história. Guardo com reverência a memória do tio Rudi, da prima Marlene, da bisa Otília, da Katiele e Karina, da Beatriz, do vô Nelson, do amigo Losoir, da tia Elvani, da prima Lorena, da professora Rosina, do tio Paulo e, mais recentemente, a despedida tão dolorosa do pequeno Nícolas, além de outros familiares e amigos que partiram cedo demais aos nossos olhos, mas no tempo reservado pelos desígnios de Deus. A saudade que fica é imensa, silenciosa e diária, mas permanece viva em nós a serenidade da fé e a certeza bendita de que o amor não se desfaz na partida e de que um dia todos nós nos reencontraremos na luz.


















