Em um breve relato, compartilho como a cegueira se instalou em minha vida.
Acordei sem visão no dia 19 de agosto de 1999, sem saber o horário exato do evento que me transportou para um mundo novo, guiado apenas pelos sons.
Embora acredite que o destino tenha sido gentil ao me privar da visão durante o sono, evitando o impacto emocional de tal perda em plena luz do dia, a tristeza imensa e a desorientação completa tomaram conta de mim. A depressão se instalou, silenciando meu mundo por meses e até anos.
Minha fé foi abalada. Eu confiava que Deus me protegeria da cegueira, mas fui a segunda vítima em minha família, após minha irmã Cláudia.
Aceitar a deficiência foi doloroso. As pessoas insistiam em me confortar com a promessa de cura, que nunca chegou. Hoje, me conformo e me acostumo com a cegueira, minha nova companheira.
Viver na cegueira não é estar na escuridão constante. Há dias claros, escuros e coloridos, cada um com sua beleza particular. Com o tempo, a aceitação se instala e os sentimentos se reorganizam, dando sentido a essa nova realidade.
A dor e o choro diminuem gradativamente, dando lugar à alegria que surge como o sol em dias nublados. A cegueira nos amadurece e fortalece, impulsionando-nos a seguir em frente. A vida não para e nós precisamos continuar, mesmo com essa nova companhia.
Atualmente, reconheço que a cegueira era inevitável, resultado de uma má formação congênita nos meus olhos. Agradeço a Deus pela família maravilhosa que me acompanhou nesta jornada, me apoiando e me motivando a prosseguir na caminhada da vida.
Gratidão, gratidão, gratidão.
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