Nos olhos, a escuridão se faz presente,
Um véu que esconde o mundo, silente.
Mas a alma, perspicaz e atenta,
Desvenda a realidade, transcendente.
Os dedos tocam, exploram, reconhecem,
Formas, texturas, segredos que a pele decifra.
Sons e aromas, guias na jornada,
A melodia da vida, em cada estrada.
O paladar, um universo de sensações,
Sabores que explodem, doces exaltações.
O olfato, um mapa de cheiros e lembranças,
Memórias que afloram, em doces fragrâncias.
A cegueira, um convite à introspecção,
Um mergulho profundo na própria emoção.
Sensibilidade aguçada, percepção aflorada,
A vida reinventada, em cada jornada.
A visão, nem sempre, revela a verdade,
A cegueira, um portal para a realidade.
Com outros sentidos, o mundo se expande,
E a alma, radiante, a verdade desvenda.
A cegueira, não um limite, mas um dom,
Um despertar dos sentidos, um novo tom.
Apreciar a vida, em sua plenitude,
Com o coração aberto, em eterna atitude.
Ao poeta cego, a inspiração não se cala,
As palavras fluem, em melodia e gala.
A arte transborda, em cores e sons,
A cegueira, um palco para a alma, sem prisões.
A cegueira, um olhar diferente sobre o mundo,
Um universo de experiências, profundo.
Uma oportunidade para crescer e evoluir,
E a beleza da vida, com o coração sentir.
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