O aroma inebriante do pudim assando no fogão me transporta de volta no tempo, para o aconchego da cozinha da minha infância. A data: 9 de fevereiro de 2021, meu aniversário de 38 anos. A ocasião: celebrar a vida com a minha amada mãe Leani, que, mesmo debilitada insistia em preparar o meu pudim favorito.
Observava-a, fascinada, enquanto ela se movia pela cozinha
com dificuldade, mas com a determinação inabalável que sempre a caracterizou.
Seus gestos eram lentos e precisos, cada movimento carregado de amor e cuidado.
As mãos que tantas vezes me afagaram, agora trabalhavam incansavelmente,
medindo ingredientes, mexendo a calda, untando a forma.
O cheiro do pudim se misturava com o perfume adocicado da
sua fragrância favorita, criando uma atmosfera única e inesquecível. O fogão,
como um guardião silencioso, guardava em seu interior a promessa de uma
sobremesa deliciosa, mas também um símbolo da força e resiliência da minha mãe.
Quando o pudim finalmente ficou pronto, a alegria em seus
olhos era inconfundível. Era como se ela tivesse colocado um pedacinho de si
mesma em cada colherada, me presenteando com um sabor que ia além do paladar.
Naquele dia, não apenas comemorei mais um ano de vida, mas
também a dádiva de ter uma mãe tão amorosa e dedicada. O último pudim feito por
ela se tornou um símbolo eterno da sua presença, um lembrete constante do amor
incondicional que nos unia.
Com o passar dos meses, o Mieloma Múltiplo a levou de mim, deixando um
vazio irreparável. Mas a lembrança daquele dia, do aroma do pudim e do sorriso
radiante da minha mãe me acompanha sempre. É um bálsamo para a saudade, um
refúgio nos momentos difíceis.
Hoje, quando preparo o mesmo pudim, sinto a presença da
minha mãe me guiando, inspirando cada movimento. As receitas podem ser
replicadas, mas o sabor único do amor materno jamais será esquecido.
Gratidão eterna, mãe, por sua plena dedicação materna. O último pudim, feito com tanto amor e sacrifício, será para sempre um símbolo da sua presença eterna em meu coração.
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