Clara, uma professora brilhante, sempre se sentiu em casa na EXC. A empresa, conhecida por seus projetos inovadores, havia sido pioneira em implementar uma política de diversidade e inclusão. Mas, por trás da fachada progressista, Clara percebia nuances de capacitismo que a incomodavam profundamente.
Naquela quarta-feira ensolarada, a equipe comemorava uma conquista histórica: a empresa havia alcançado a cota de contratação de pessoas com deficiência. A reunião, no entanto, foi um choque para Clara. A gestora, Carmem, fez um discurso entusiasmado, exaltando o trabalho da equipe de diversidade e inclusão. No entanto, o nome de Clara, a única pessoa com deficiência visual na equipe, sequer foi mencionado.
Clara se sentiu invisibilizada, mais uma vez. A alegria pela conquista se misturou com a frustração pela falta de reconhecimento. Era como se sua contribuição fosse apenas um número, uma estatística para cumprir uma cota, e não o resultado de um trabalho árduo e dedicado.
Clara era cega desde a adolescência e havia desenvolvido habilidades incríveis para compensar sua deficiência visual. Na EXC, ela não apenas desempenhava suas funções com excelência, mas também era uma defensora incansável da inclusão.
Se não fosse por Mara, sua colega, que a avisou de última hora sobre a reunião e a levou até a sala, Clara não teria participado da comemoração da conquista da cota.
No entanto, a cada dia, Clara enfrentava microagressões que minavam sua autoestima, além de ser excluída de atividades sociais. A empresa havia criado um ambiente acessível, mas a mentalidade de muitos ainda precisava mudar.
A reunião daquela quarta-feira foi a gota d'água. A celebração da conquista da cota, sem qualquer menção ao seu papel, foi um lembrete cruel de que, mesmo em um ambiente que se dizia inclusivo, ela ainda era vista como diferente, como alguém que precisava ser ajudada, e não como uma profissional competente e valorizada.
Clara ficou triste por vivenciar o capacitismo no trabalho, mas não perdeu a esperança. Sonhava com um futuro promissor, onde pudesse exercer sua profissão sem vivenciar experiências excludentes.
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