25 junho 2026

Memórias que Transcendem o Tempo

Cinco anos se passaram desde a partida da minha mãe para o plano espiritual, um tempo que, embora pareça seguir um curso rígido, insiste em se comportar como uma linha curva, devolvendo-me, a cada instante, à presença de quem me deu a vida.

Existe um território reservado à alma e à saudade, onde nenhuma reflexão é capaz de medir a intensidade do aperto no peito. Nos momentos de silêncio mais profundo, a memória a traz de volta com uma nitidez que desafia o tempo e a distância. Nessas horas, o presente parece suspender-se, preservando, intactos, os planos que ainda tínhamos para realizar juntas.

O desejo que me invade é quase infantil: queria ter o poder de abrir um portal, sentar à mesa, passar um mate e, entre risadas e confidências, dividir as pequenas conquistas que vieram desde então.

Sei que o plano espiritual atua como um véu entre nós. Mas, ao escrever sobre isso aqui no Mãe DV, percebo que esse "portal" não é algo externo, tampouco fruto de fantasia; ele é a própria memória que trago comigo. Ao olhar para a minha filha e buscar ser o refúgio que minha mãe foi para mim, mantenho esse portal aberto. Ela vive em cada aprendizado, em cada gesto de cuidado que repasso e em cada capítulo da minha história que continuo a escrever.

A vida não estagnou. Ela mudou de ritmo, ganhou novas matizes e, inevitavelmente, aprendeu a conviver com essa saudade que ainda bate forte. Mas, dentro desse luto, que é, antes de tudo, uma forma de amor, sigo encontrando maneiras de honrar quem ela foi.

Se você também caminha com uma saudade que, por vezes, parece um véu difícil de transpor, saiba que o amor que nos une às nossas mães não conhece fronteiras. Ele é, silencioso e diariamente, a ponte que nos permite continuar, mesmo quando o coração pede um abraço apertado que, por ora, só a memória pode entregar.


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