Hoje celebro um marco profundamente especial: 27 anos vivendo como pessoa cega. Olhando para trás, percebo que essa trajetória nunca foi sobre o que deixei de ver com os olhos, mas sobre a imensidão de sentimentos e possibilidades que aprendi a enxergar com a alma. Entre as tantas transformações do caminho, houve momentos difíceis, sim, mas as alegrias sempre falaram mais alto. Cada desafio foi um mestre silencioso que me ensinou a ter resiliência, a crescer e a me tornar a mulher inteira que sou hoje.
Nenhum passo dessa caminhada foi dado na solidão. Guardo no peito uma gratidão infinita aos meus pais, cujo amor incondicional foi o chão firme e seguro durante a transição da baixa visão para a cegueira. Aos meus irmãos, meu carinho eterno: ao meu irmão Clécio, pela presença leal e pelo apoio inestimável que se renova todos os dias; e à minha irmã Cláudia, que, vivendo a mesma realidade, iluminou meus passos com a força do seu próprio exemplo.
Olhar para o presente é contemplar sonhos que viraram realidade. Agradeço a Deus, em primeiro lugar, pela bênção imensa da maternidade — por ter ao meu lado a Natália, uma filha tão amorosa, doce e dedicada em tudo o que faz, que enche meus dias de orgulho e afeto.
Construí a casa dos meus sonhos, conquistei o espaço profissional que sempre desejei e alcancei a realização acadêmica com o mestrado em Educação. Hoje me sinto plena, feliz e completamente realizada. Mais do que contar anos, celebro a coragem de sonhar e a beleza de viver. Para trás, fica a certeza da superação; no coração, fica apenas a mais profunda gratidão.
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